Vanguardinha

quarta-feira, 29 de julho de 2009


Essa aqui é uma garatuja minimalista, e essas texturas tem também um certo caráter orgânico, onde eu procurei imprimir um pouco da minha personalidade pré-silábica.”
Matheus, 4 anos, gosta de fazer de sua primeira infância uma experiência cult.
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Pró-letrados, uni-vos

sábado, 25 de julho de 2009

Educador histórico-crítico_20 diz:
*Oi, o que você tem de produção musical histórica e socialmente acumulada pela humanidade que possa ser socializada?

Internauta intolerante influenciada pela produção quase-musical indji capitalista diz:
*hahahahaha
*podre
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Cores de Frida Kahlo

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Essas coisas de faaquer fizeram minha cabeça esse fim de semana, e eu me rendi à essas gracinhas recortadas com canivete em chapa de raio-x da vó da Mayara. A princípio as pessoas dessa casa não acharam que ia dar boa coisa eu com tinta laranja e uma bucha de pia na mão, grudando com fita adesiva uma transparência azul na parede azuláça aqui do quarto. Mas no final ficou jóia. Se alguém tiver algum tio com efisema, algum pai com tíbia fraturada, e tinta acrílica que não seja laranja, me dá um toque.
Desde sempre, meus agradecimentos à Janis, pois é quase sempre a mente desocupada dela que inventa essas coisas. Ó o soslaio da Amelie se não é de acordar mais astralizado:







Programa de férias de pseudo-filho único.

Sinal vermelho

sábado, 11 de julho de 2009



Não sei se você quando saiu pelo portão se sentiu exatamente culpada por não ter conferido a porta do fundo, mas naquele primeiro sinal vermelho isso foi o que eu desejei com mais força. Essa mania de não querer demonstrar preocupação pelas coisas que deveriam ser preocupação sua irrita qualquer personagem da sua trama matinal.


Você acha que só a certeza de uma cólica já é aborrecimento o bastante pra não precisar se importar com mais nada pelo resto do mês. Os outros infortúnios que fiquem a cargo de quem mais sofre com o produto dessa dor. Eu, o interlocutor das suas terças-feiras de tpm.

Olhando aquele sinaleiro metaforicamente vermelho eu podia jurar que você estava morrendo de arrependimento de ter saído impunemente pela porta da frente, como se tivesse acordado sem precisar dar satisfação da sua existência pra ninguém. O simples fato de ter que manipular um always com abas te desobrigava dos outros aborrecimentos. Para esses, você tinha este cidadão emputecido diante do sinaleiro às dez e quinze da manhã.

Não sei se eram as abas do seu always, mas de fato você também não estava se comportando bem como garupa. Não é possível que toda hora você tenha que ficar jogando o corpo ora de um lado, ora do outro. Não, não é todo dia assim, você sempre foi uma exímia garupa. Não bastasse a sua falta de consciência pesada por simplesmente se negar a cooperar com as tarefas domésticas, você insiste em não colaborar com o equilíbrio mínimo que se espera de uma mulher com tpm a bordo de um absorvente. Que eu saiba a simetria é um dos itens exigidos dos absorventes com abas, portanto não há razão pra tanto desequilíbrio. Agora eu entendo perfeitamente aquela história de duas pessoas numa só, metades da laranja, na saúde e na doença. E eu não poderia entendê-la em momento pior.

Juro que assim que você se livrar das prestações daquele já velho violão, o próximo carnê vai ser de uma outra motocicleta. Uma moto sua, pra você não precisar dar satisfação pra ninguém da sua autonomia te-pe-emística. Talvez a responsabilidade de um tanque pra abastecer lhe de traga outras consciências, e com ela outras responsabilidades. E a noção de que você nem sempre vai ter alguém que te entregue o mundo pronto quando você acordar.

Passado o semáforo e a raiva pela sua teimosa inculpabilidade, até que a fila do banco não estava tão grande. E foi na fila do caixa que você se mostrou mais resistente, incrível. A fila preferencial estava lotada com um velhinho, uma senhora, uma gestante e outro senhor. Imaginei que todos eles por estarem na condição de preferencial estavam de tpm. Eu olhava todas aquelas pessoas às dez e quarenta na fila do banco e via na cara de cada uma delas que se pudessem não estar ali estariam num banco de bosque, num banco de bar, num banco de rio, bem longe dali. Sem always, sem abas. Mas não tem jeito, eles escolheram viver na cidade, e tem que se acostumar com o trânsito, com a fila, e com absorvente. Com o seu próprio ou com o de alguma emburradinha. E então eu entendi a diferença no humor das senhoras sessentistas na fila preferencial. Elas já não tinham esse tipo de preocupação à essa altura do campeonato.

“Não adianta, a fila preferencial não comporta tepeêmicas”. Você se mostrou insensível ao comentário, que nem de longe pretendeu ser engraçado, e continuou indiferente como uma estátua naquela fila. Era ainda a velha tentativa de te fazer remoer a consciência por abandonar a porta dos fundos da maneira como ela estivesse. De fato eu não sabia se ela estava aberta, se estava trancada, se fora roubada. Nesse exato momento eu nem sabia ao menos se ela era branca ou era tabaco, de ferro ou de madeira. O que me incomodava era a sua não-preocupação, ou a sua negação em pelo menos imaginar com estava ela. Era a sua cara de pouca importância quando saiu pela porta da frente, enquanto eu insistia pra você ir conferir.

Mas inútil. A única pessoa que você ouviu durante aquele dia todo foi o rapaz de topete no caixa 4 do banco. Foi a ele que você deu ouvidos quando entregou docilmente o nosso cartão.

E digitou a data do meu aniversário. Entra.

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Com mais de 30

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Na mulher interessante a beleza é secundária, irrelevante e até mesmo desnecessária. A beleza morre nos primeiros quinze dias, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse de mulher em mulher anunciando: ser bonita não interessa, seja interessante
Nelson Rodrigues.

Pegando o gancho da frase, eu queria falar da beleza dos indivíduos do sexo masculino. Posso fazer isso com bastante isenção, sem lugar pra sugestões do tipo "uhmmm, achando homem bonito, atoron perigon". De fato os únicos caras que eu vejo algum charme tem mais de 30 de sonho e de américa do sul. Aqui vai a minha versão da frase do Anjo pornográfico pros garotos da meia idade. Não que eu ache eles bonitos. É que o charme da beleza mora justamente no envelhecer. Com ou sem suin.
No caso do Jhonny Deep, não é nem por ele mas pelo Mort Rainey, o protagonista de Janela Secreta. Também não é nem por ele, mas pelo estilo de vida do cabra. Porque quem sabe envelhecer mesmo é o Tom Jobim, o Chico Buarque, o Zé Wilker e o Mort Rainey. O resto é beleza efêmera de bancas por aí

Sobre como ser um marxista xiita

sábado, 20 de junho de 2009














O marxismo enquanto abordagem do conhecimento é no mínimo muito interessante. Não é à toa que a teoria do Karl Marx ficou conhecida como socialismo científico, afinal ela explica muitos fenômenos de um ponto de vista muito sólido: a base material. Quem há de negar que o dinheiro domina o mundo e as relações humanas?
O fato é que essa solidez dá um conforto tal para os que se assumem marxistas que eles tendem a se tornar ortodoxos, radicais, chatos mesmo. E essa abordagem radicalista, é bastante problemática para eles, pois compromete o caráter científico daquele barba de outrora. Sim senhores, porque o Marques nunca escondeu que ele defendia luta de classes no sentido armado da palavra, afinal, palavras não vão tirar a burguesia do poder. Porém, quem leva o cara ao pé da letra para toda e qualquer problemática da sociedade atual, pode se configurar totalmente anti-científico, totalmente utópico e lunático: trata-se do já famoso marxista xiita. Então vamos fazer algumas considerações sobre essa espécie cada vez mais comum nos corredores, nas cantinas, nas praças, nas filas e nas mesas redondas que nunca o são.

Primeira lei do marxista xiita: Tome a exploração capitalista do empregado pelo patrão como o maior problema da nossa sociedade. Portanto, quando alguém vier com conversa sobre esse ou aquele assunto, você como bom marxista xiita faça alguma relação disso com luta de classes. Não deixe por menos, diga à pessoa que a discussão dela não é importante, a sua que é.

Segunda lei do marxista xiita: Negue o ponto de vista do que você está criticando. Diga que se trata de mais uma tentativa burguesa de se perpetuar na elite dominante da sociedade. Insinue que a pessoa não consegue enxergar as contradições de classe, se puder insinue que ela é alienada. Proponha uma abordagem nova, baseada em Marx, Lênin, Trotski, e Gramsci, necessariamente nessa ordem. Insista que só a sua proposta é verdadeiramente revolucionária e que a outra abordagem não serviu pra nada, não deu nenhuma contribuição, foi completa e definitivamente um desserviço para a sociedade. Afinal, só o marxista xiita é suficientemente esclarecido para poder levar em consideração todos os determinantes do fenômeno, já que o conhecimento dele é necessariamente superior às outras leituras, tendenciosamente neoliberais.

Terceira lei do marxista xiita: Quando você se sentir inseguro em uma discussão, não se preocupe: o marxismo xiita está assentado sobre a verdade. Lembre-se que o proletariado está organizado e comprometido com a luta de classes, portanto, não há motivos para pânico. Se sentir que a coisa está escapando do seu alcance, volte à Idade Média, à Revolução Industrial e faça uma defesa árdua da socialização dos meios de produção. Mesmo que a discussão não tenha muito a ver com isso, aí está a gênese de todos os problemas do mundo.

Quarta lei do marxista xiita: Jamais seja conivente com o elogio à qualquer identidade cultural, afinal ela é uma fonte absurda de alienação. Qualquer tipo de identidade, seja de raça, de cultura, de região, de gênero, é alienado, pois não demonstra o recorte de classe. Nunca se esqueça que antes de ser mulher, nordestino, negro, judeu, jogador de baralho, ou líder dos lobinhos você é ou dominante ou dominado. Não existe identidade senão a identidade de classe. O resto é alienação.

Quinta lei do marxista xiita: Fazer cara de mau, de revoltado, falar em tom de voz mais alto, como se você achasse tudo muito absurdo é mais do que necessário para defender a sua dignidade de marxista xiita. Lembre-se que quem não é radical como você, não faz cara de mal e tenta uma outra abordagem que não a sua, que está à serviço da verdade, é no máximo um reformistazinho pequeno-burguês.

Sexta lei do marxista xiita: A vertente xiita dentro do pensamento de esquerda é a maior expressão da verdade marxiana. Lembre-se que a esquerda é grande, e tem muito reformista social-democrata por aí. É seu dever defender a supremacia do verdadeiro marxismo, pra que ele não seja infectado pelos marxistas sangue-ruins. Sim, o marxista xiita tem o sangue azul, e é o único clã verdadeiro. Não aceite nenhum tipo de discurso daqueles que se pretendam esquerdistas sem defender a letra da lei de Marx a ferro e fogo. Muito cuidado, portanto com essa coisa de 'sonho freireano', tolerância, esperança de uma sociedade mais humanizada. A vida é dura.
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O poder é afrodisíaco

domingo, 14 de junho de 2009


Tava passando no Cine Clube aquele filme Feliz Natal, do Selton Mello. Digo filme do Selton Mello porque dessa vez ele é o Diretor do filme, e não o ator engraçado de sempre. Mas não é só isso. É o primeiro trabalho como diretor de um dos maiores atores brasileiros, um dos menos clichês, um dos mais inovadores, mas de fato eu digo que o filme é dele porque ele quis passar essa impressão, de dono do filme.


"Meu trabalho, "eu fiz assim, "quando eu pensei. Tanto que você estava acostumado com as capas do filmes do Almodóvar, que vem escrito Um filme de Pedro Almodóvar. Pois bem, Na capa de Feliz Natal também está escrito Um filme de Selton Mello.
Depois de ver o filme eu me senti meio culpado, porque de fato ele conseguiu me atingir em alguns sentidos, com essa coisa da família. Daí minha irmã tava aqui e queria alugar um filme. Eu disse que já tinha alugado, mas ela queria ver Austrália, porque falaram pra ela que era bom. Ela que ia pagar mesmo, paciência. Era a minha chance de valorizar esses momentos “família” que o filme tinha me cutucado.
Lá na locadora perguntei pro cara se tinha o Chega de saudade. Ele disse:
__ Tem, ó ele ali.
__ Não, não é Chega de saudade, é outra coisa que tem a ver com bossa nova, tem o Selton Mello e tal.
__ Os Desafinados?
__ Isso!
__ Ta na Duque.
__ Puts
__ Já viu o Feliz Natal?
__ Já, vi ontem.
__ Cê gostou?
__ Gostei, muito foda.
__ Foi corajoso né, primeiro trabalho dele. Achei ele meio mala nos extras, fazendo citações... Depois que eu vi os extras eu desgostei do filme. Ah, muito mala.
__ Hehe. Então, eu achei muito bem feito, tem umas críticas da hora. A família zuada, tem todo um pano de fundo...

Essas conversas com balconista de locadora não levam a lugar nenhum. Geralmente você fica tentando dar a entender que você entende do que supostamente ele deveria entender. A não ser com a ‘Suzana’ da outra locadora, com ela eu sempre concordo, mas isso não é pauta de hoje.
Daí que eu fiquei com a pulga atrás da orelha, afinal de contas eu só tinha ido na locadora buscar um filme família por causa do Feliz Natal. Se ele não tivesse me acusado de algumas coisas eu não teria aceitado sair debaixo do meu edredon pra bancar o meninão que vai buscar Marley e Eu (filme interrogação pra mim, não acontece nada) pra assistir com a turma aqui de casa. Até porque não é todo dia que a turma aqui de casa é a turma daqui ou tá aqui em casa.
Vendo os extras eu cheguei à conclusão que o Selton Mello, com seu primeiro filme tá se achando o dono do seu primeiro filme.
Pô, quem há de negar que ele é um grito solitário no meio de milhares de atores iguais, super lugar comum. O cara é a salvação da lavoura (não a Arcaica, hahá). Em todos os filmes que ele fez, deu uma pitada da personalidade dele. Ele tem um vocabulário que geralmente deixa uma marca definitiva nos filmes, vide O auto da compadecida, Os aspones, Árido movie, O CHEIRO DO RALO, etc
E Feliz Natal conseguiu ser um filme foda, mesmo sendo o primeiro. Mas porque essa necessidade de rotular o filme como o Primeiro Filme de Selton Mello? Pra que colocar na capa do dvd ‘Um filme de Selton Mello’?! É um filme ótimo, a equipe foi o cara que montou, escolheu os atores, acho que o roteiro é dele também, mas isso é de praxe nos diretores.
É fato que, como ele é o queridinho do Brasil, esse emblema dê um salto na locação dos filmes, mas querer promover o filme por ser um filme de fulano de tal, é meio que narcisismo almodovariano. O Filme é foda, demais. Com certeza o primeiro de muitos que serão muito bons, pra salvar a gente de coisas menos bacanas como A mulher invisível. Mas é preciso desmistificar o fenômeno narcisista dos Diretores.
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