sexta-feira, 8 de junho de 2012
Tudo o que fiz foi tentar acabar com tudo
que pudesse me lembrar você. Inclusive
destruir os espelhos de casa. Até quando
olhava para mim mesmo eu via você por
fora e por dentro e por tudo. Tudo o que fiz
foi acabar com tudo que me lembrava você.
Quando na verdade
ah não
droga
merda
eu não acredito
que merda
que merdaquemerdaquemeiewrda
veja
não sei como
não sei mesmo como
na verdade
eu ainda
merda.
(Gabriel Pardal)
rasurado pelo
Jorge Teixeira
às
15:41
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Desquentrou preronautica
sábado, 12 de maio de 2012
rasurado pelo
Jorge Teixeira
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18:16
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Daquele rolé no Botânico
sábado, 17 de março de 2012
rasurado pelo
Jorge Teixeira
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11:59
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Religando
sexta-feira, 2 de março de 2012
A gente não precisa de um salário
Um débito automático todo dia 25
Ou um décimo terceiro fundo de garantia
A gente precisa só e precisa mesmo é de um interlocutor.
Pode ser um C3, um sms, 140 caracteres, um gato ou alguém de verdade
Dessas com cheiros, clichês e rituais.
Já pensei em ir de vez, ir de vez, já pensei.
.
Um débito automático todo dia 25
Ou um décimo terceiro fundo de garantia
A gente precisa só e precisa mesmo é de um interlocutor.
Pode ser um C3, um sms, 140 caracteres, um gato ou alguém de verdade
Dessas com cheiros, clichês e rituais.
Já pensei em ir de vez, ir de vez, já pensei.
.
rasurado pelo
Jorge Teixeira
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17:33
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Sobre misturar Boça e Drummond
quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Puta mundo vasto mundo injusto,
Se eu me chamasse Raimundo e não Boça seria uma rima e não uma solução né meo!
.
rasurado pelo
Jorge Teixeira
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15:27
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Caso incomum de trânsito
domingo, 3 de abril de 2011
Ia descendo a Nações Unidas em direção ao centro da cidade por volta da hora do almoço de um sábado cinza de abril. Navegava com sua motocicleta pela avenida e já perto de casa viu o sinal amarelar pouco à sua frente. Não adiantaria acelerar, pois àquela distância o vermelho era um óbvio ululante e inevitável.Parou e começou a esperar a eternidade efêmera que é cada segundo nos semáforos de cada esquina dessa Cidade Sem Limites pra paciência. De repente ouviram-se três buzinas do carro de trás, um carro grande e prata, que colocava algum respeito naquele grid de largada. Abstraiu, certo de que não era com ele. Ainda tentou reconhecer pelo retrovisor algum possível conhecido. Não conhecia, certamente a moça buzinou pra outro alguém que passava ali na praça.
Não mais que de repente viu pelo retrovisor a tal criatura impaciente dentro do carro, tirando o cinto com pressa. Cogitou a possibilidade de a moto estar em chamas e ele ignorar esse fato, de modo que a moça estaria tentando alertá-lo do perigo iminente de morrer carbonizado na Nações Unidas, mas eis que ela sai do carro no meio da rua e vem em sua direção.
Certamente ela ia tirar satisfação por uma seta não dada algumas esquinas atrás, afinal é uma pessoa extremamente convicta da importância da seta no trânsito de uma cidade média. Ou então vem avisar que sua moto está muito suja, sim, seria plenamente possível, afinal ela estava imunda, mas quem, diabos, desce do carro no meio da rua com o semáforo fechado com tal intenção? Não, provavelmente não era com ele, ela iria dar um recado em outro carro que a acompanhava para uma viagem, porque provavelmente precisava rever o nível de água do motor.
Todas essas hipóteses se mostraram falsas, mas não mais absurdas do real propósito que tinha aquela mulher ao abandonar seu carro no meio da rua na espera pelo sinal verde. Ela abriu a porta, desceu do carro, veio correndo até ele e disse:
__ Moço, você não quer me vender esse chaveiro que tá na sua mochila?!
Ele não fazia rigorosamente a menor idéia se sua mochila tinha um chaveiro, afinal ele só a usava pra viagem, muito menos de que chaveiro se tratava. Naquele minuto ele só tinha certeza de duas coisas. Uma que essas coisas estranhíssimas não devem ser tratadas como qualquer coisa, elas fazem parte de um pequeno conjunto de fatos improváveis e o improvável deve ser tratado como sacro. E depois seja lá qual fosse o chaveiro que estivesse naquela mochila não seria nada que não merecesse ser posto à venda em nome daquela condição tão peculiar. Mas o sinal acabara de esverdear, e ele rapidamente respondeu “Só um minuto”.
Encostou a moto, enquanto ela voltou correndo ao carro e encostou logo ao lado. Ele desceu, tirou a mochila e viu que o chaveiro era desses tipo mosquetão de alpinistas, porém absolutamente ordinário, desses que se ganha em oficinas quando se troca o óleo, desses que se perde na rua, sem o menor valor comercial. Mas não era o valor de troca que importava aí. Importava negociar um chaveiro cretino no meio da rua com uma desconhecida, que não pensou o quão ridícula estava sendo, se interessando pelo chaveiro da mochila do motoqueiro que parou à sua frente no semáforo.
Na calçada reconhecendo o chaveiro e perguntou:
__ Esse?!
__ É, eu perdi minha chave dessas de partida na enxurrada, porque ela não encaixa direitinho aqui, sabe, então eu precisava de um desses igual o seu.
Ele cogitou dar o chaveiro a ela, não faria a menor diferença, mas aquilo tudo era uma digressão tão definitiva na desacelerada mecânica cotidiana daquele sábado que seria muito mais interessante levar aquilo tudo a sério e estabelecer uma relação do valor de troca pelo sagrado valor de uso daquele artefato sagrado.
__ Tá. Quanto você dá nele?
__ Não sei, dois, três reais?
__ Tá, pode ser.
Ela abre a carteira, duas notas de 2.
__ Tó, 4.
__ Beleza.
__ Obrigada viu moço!
E ele, incrível daquela situação esquisitíssima, respondeu:
__ Tá, tranquilo, obrigado!
Partiram os dois, ela jamais arrependida por ter cometido a mais completa absurdez, mas segura de que sua chave não irá mais se perder na próxima enxurrada. Ele seguiu rindo sozinho.
.
rasurado pelo
Jorge Teixeira
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07:37
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Bem aventurados os que porventuram
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Ó, primeira vez que eu faço um post motivado por um tweet, acho que estou irrecuperavelmente pós-moderno. Mas como disse [escreveu] Marx na Ideologia Alemã, "Os tweets e posts se relacionam dialeticamente na contradição da prática social real" (Marx, 1978, p.67). Eu já escrevi em outros tempos sobre o poder do adjetivo, na ocasião dizia eu da potencialidade foderoza de "braços castos", etc. Agora a verborragização caminha em sentido parecido. #parnaziando
Foi quando eu porventura usei a palavra Porventura e achei demasiado puta legal. Porque é loco, eu já vi o Amarante explicando em algum lugar [da internet, evidente] o porquê do nome Ventura no 3º disco do Los Hermanos. Dizia ele que Ventura pode significar sorte ou destino, acaso. Até mesmo porque a própria palavra Sorte pode significar boa sorte ou acaso! Não é à toa que é do mesmo Rodrigo Amarante o verso "é que a sorte é preciso tirar pra ter". Isto é, quando você é pivete e diz "Vamos tirar na sorte" e joga par ou ímpar, ce tá tirando na sorte (acaso) pra ter sorte (boa sorte). Véi, só eu que acho isso genial?! É massa demais.
Foi quando eu lembrei que o sítio que meu pai [quase sempre eu escrevo pau em vez de pai. por sorte, ou acaso, eu corrijo depois] nasceu se chama Fazenda Ventura, porque na época os filhos não tinham dividido a Fazenda em 5, desde então se tornou sítio. Mas a tradição oral ainda chama o lugar de Ventura, e meu pau ainda tem um pedacim de terra por lá. Certamente a gente do Ventura não sabe o significado, mas a palavra Ventura mesmo vazia de significado é bonita.
Eu pensei hoje numas coisas sobre o Manoel de Barros e Murilo Rubião, porque me parece que gostar do Rubião e depois do Manoel tem algo a ver, porque um é realismo fantástico e o outro é fantástico que nega o realismo, mas depois um dia na vida se eu tiver sorte ou o acaso me proteger eu escrevo sobre.
Um beijos,
.
Foi quando eu porventura usei a palavra Porventura e achei demasiado puta legal. Porque é loco, eu já vi o Amarante explicando em algum lugar [da internet, evidente] o porquê do nome Ventura no 3º disco do Los Hermanos. Dizia ele que Ventura pode significar sorte ou destino, acaso. Até mesmo porque a própria palavra Sorte pode significar boa sorte ou acaso! Não é à toa que é do mesmo Rodrigo Amarante o verso "é que a sorte é preciso tirar pra ter". Isto é, quando você é pivete e diz "Vamos tirar na sorte" e joga par ou ímpar, ce tá tirando na sorte (acaso) pra ter sorte (boa sorte). Véi, só eu que acho isso genial?! É massa demais.
Foi quando eu lembrei que o sítio que meu pai [quase sempre eu escrevo pau em vez de pai. por sorte, ou acaso, eu corrijo depois] nasceu se chama Fazenda Ventura, porque na época os filhos não tinham dividido a Fazenda em 5, desde então se tornou sítio. Mas a tradição oral ainda chama o lugar de Ventura, e meu pau ainda tem um pedacim de terra por lá. Certamente a gente do Ventura não sabe o significado, mas a palavra Ventura mesmo vazia de significado é bonita.
Eu pensei hoje numas coisas sobre o Manoel de Barros e Murilo Rubião, porque me parece que gostar do Rubião e depois do Manoel tem algo a ver, porque um é realismo fantástico e o outro é fantástico que nega o realismo, mas depois um dia na vida se eu tiver sorte ou o acaso me proteger eu escrevo sobre.
Um beijos,
.
rasurado pelo
Jorge Teixeira
às
17:01
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